domingo, janeiro 30

Vilã.

Toda história tem sempre aquela pessoa que é boa demais e só leva na cara e aquela que dá na cara dos outros.
Por que?
Talvez pior do que o fato de que existam pessoas assim na vida real, é sentir-se o mau da vez.
A menina não sabe o que mudou dentro dela, não sabe o que tenta desesperadamente sentir e não sente...Mas sabe que algo está diferente. E toda essa diferença fez mal para outras pessoas.
A menina, que sempre foi a mais boba, conseguiu reconhecer a causa do sofrimento alheio em si mesma hoje. E que dor ela sentiu!
Como dói saber que alguém chorou por causa dela, alguém sofre, alguém gosta de ela de uma maneira que a assusta, pelo (não tão simples fato) que nunca a amaram assim.
Ela está perdida. Ela está confusa.
Por que tudo o que sempre pediu e reclamou por não ter, hoje, não a faz feliz?
Por que ela sonhava viver essa realidade e, quando a conquistou, tudo mais parece um pesadelo?
A menina fez alguém sofrer. E isso, é impossível de perdoar.

segunda-feira, janeiro 17

Sozinha

Desenvolveu-se em um local pouco provável. Sem companheiras por perto. Todos os dias, dezenas de carros passam por suas raízes, mas nada que consiga abalar sua força e resistência. Nada que mude a sua vontade de estar ali: realizada, bela, repleta de pequenos frutos e folhas de um verde admirável.

Ela é linda e destaca-se justamente pelo fato de estar sozinha no asfalto e cheia de companhias em seu interior.

Que seja possível, assim como para esta árvore, que as pessoas enxerguem possibilidades onde, a primeira vista, pareça impossível.



Praia dos Coqueiros - Florianópolis/SC


domingo, janeiro 9

E se for para pensar...

A menina está longe de casa, tentando aproveitar um tempo de descanso.
Esqueceu de preocupações de trabalho e estudos, mas uma nova onda de pensamentos passou a fazer parte da sua vida:
Por que um homem ama uma mulher? Ou vice-versa?
Como funciona essa história de amar UMA pessoa quando existem tantas no mundo?
Será que é verdade quando alguém diz que ama?
Sempre existirá alguém mais bonito, mais elegante, mais carinhoso...então, como é essa história de amor?
O que é esse sentimento que faz com que os corações sejam capazes de cegar os olhos para as demais pessoais do planeta?
Como é possível encantar-se por alguém e ser fiel a essa pessoa?
Pelas experiências da menina, ela sente que tudo que diziam ser amor, acaba.
Essa reflexão não terminou ainda...
Mas a menina não sabe se quer continuar a pensar nisso.

quarta-feira, janeiro 5

Férias.

A menina quis sumir um pouco, visitar outros lugares, sair da cidade de sempre...
Em busca de sua tranquilidade, deparou-se com mais um problema: sua aparência.
Entre pessoas desconhecidas, olha-se e sente-se mal.
Ela não é igual as outras...
E isso a faz sofrer consigo mesma.
Inventa promessas para o dia seguinte, para o futuro, para a vida.
Nada que faça parece relevante perante a aparência. Ninguém olha para seu histórico, olham para seu corpo, ou melhor, não olham.
Mas ela não se sente ignorada, pior, ela sente que zombam, ela sente que é um monstro perdido na areia, um monstro que não deveria ter coragem de aparecer em público.
Sofre sozinha, pois não pode falar o que sente. E, mesmo que tentasse, talvez ninguém entenderia.
A cada hora, parece que erra mais, mesmo sem mover um dedo...
Sua respiração parece um problema para os outros. Mas ninguém a disse isso, ela simplesmente sente assim.
A esperança que sentia, escondeu-se.
E a menina ainda não faz ideia onde.

domingo, janeiro 2

Acreditar.

Pela primeira vez em sua vida, a menina decidiu passar a virada de ano longe dos pais.
Aceitou um convite de uma amiga e tentou comemorar entre casais apaixonados e pessoas engraçadas.
Dali, metade ela não conhecia, com apenas um quarto tinha amizade...
Foi uma experiência nova para a menina que, até então, estava acostumada a ir à praia, pisar na areia, ver os fogos e dormir com mil e um sonhos na cabeça.
A noite não foi como esperava...Talvez, tenha esperado demais, talvez tenha se arrependido de ter aceitado. Ela quis sua família, mas não podia voltar sozinha.
Entre conversas aqui e ali, surgiram lembranças, recordações, desejos, saudade, vontade.
Ela viu a alegria, mas não sentia fazer parte da mesma. Ficou quieta em seu canto, esperando.
Mas, no meio disso tudo, duas coisas valeram muito a pena de terem sido apreciadas:
Dois casais. Duas declarações. Formas diferentes de representar o AMOR. De prová-lo. De senti-lo.
Palavras ditas por meio de uma música, expressando toda a felicidade em estar ali, com aquela pessoa ao seu lado.
Palavras declaradas, quase como um poema, acompanhadas de lágrimas de amor, de puro sentimento de alegria.
Observar esses casais foi uma experiência única para a menina.
Embora estivesse triste e sentindo-se sozinha no meio de muitas pessoas, ela pode acreditar em um fato: O amor existe sim. E todos merecem vivê-lo.